sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Descrença


Tenho engolido sapos
Vermes a goela abaixo
Ingerido fezes
Me alimentado de carniças!

Tenho o estômago apodrecido
As vísceras dilaceradas
A estrutura óssea em crepúsculo
Corroída pela osteomalácia vida

Tenho ainda o peito em chagas
Seus músculos enferrujados
 Minhas tetas murchas
Meus sentimentos mortos!

Tenho como todo humano
Vontade de amar e ser amado
Mas, os ratos mijam, roem
Prolifera seu mal!

Tenho adentrado cárceres
Vivido o drama das bactérias parasitas
Lido e escrito dores e lamas
Purgatórios e faustos infernos!

Tenho sofrido as mazelas humanas
A substância química da pólvora
Os distúrbios orgânicos e fisiológicos
Da anatomia cerebral do homem!

Tenho sim, alimentado a ilusão
A filosofia dos homens patéticos
Espectros de uma raça sem nome
A estúpida psicologia da subserviência!

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