Estou mergulhado
Nesta fossa humana
Preso as fezes
Depositadas pelo homem
Alimentando-se
De detritos que cato
Pouca lucidez que tenho
Respirando
Compadecendo
Nas cinzentas brasas
Do tição que o tenho
Motivo de sobrevivência
Para este verme
Que de dores
Tão dilacerantes!
Como gosto
De adultérios
Seios macios
E doces mistérios
Adentrar a plácida
Ternura feminina
Teu corpo
É minha sina!
Cravar dentes
Corroídos pelo desejo
Transar vísceras
Alimentar o adejo
Desnivelar e velar
Pela minha alma
Gozar a mulher proibida
Suplicar ínfima calma
Como gosto
Do frio e da dor
De pelancas multicores
De raparigas e amor!
Na doce incerteza
Da minha peleja
Vejo esta desgraça
Na trágica cena que se deseja!
Tenho defecado
As minhas tristezas
No vaso da
Minha sensatez
Engolido ácidos
De indignação
Sustentado por tripas
E um estômago
Dilacerado
Tenho amado os homens
E traído pelos mesmos
Na paupérrima incerteza
Que deverás ter!
E mesmo no limite humano
Tenho o ventre rasgado
As vísceras expostas
Por estes abutres!